Formação prepara equipe da Trilha de Criação para conduzir alunos no desafio “Código Preto — Legados que Transformam”
A jornalista, apresentadora, atriz e comunicadora Alinne Prado realizou uma capacitação com os educadores da Trilha de Criação do AfroGames, responsável pelas formações de Desenvolvimento de Games e Design para Games.
O encontro faz parte da preparação para a AfroGamesJam 2026, que este ano terá como tema “Código Preto — Legados que Transformam”. O desafio propõe que os alunos desenvolvam jogos inspirados em personalidades negras que deixaram ou continuam construindo legados importantes em diferentes áreas da sociedade.
Entre as personalidades que servirão de inspiração para os projetos estão nomes como Malcolm X, Martin Luther King Jr., Lázaro Ramos e Sonia Guimarães, primeira mulher negra brasileira doutora em Física e professora do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). A proposta é aproximar os alunos de diferentes trajetórias e estimular a criação de jogos capazes de transformar histórias, ideias, conquistas e legados em novas experiências narrativas e interativas.
A preparação para esse desafio começa também por quem estará ao lado dos alunos durante todo o processo. A capacitação conduzida por Alinne Prado busca ampliar o repertório e oferecer novas ferramentas aos educadores para que possam orientar pesquisas, estimular reflexões e apoiar os jovens na compreensão das trajetórias das personalidades escolhidas.
Mais do que reproduzir biografias dentro dos jogos, o desafio será compreender o que cada uma dessas personalidades representa e identificar elementos de suas histórias e de seus legados que possam ser transformados em criação. Conceitos como identidade, representatividade, resistência, conhecimento, transformação social, superação de barreiras e ocupação de espaços poderão ganhar novas formas por meio de personagens, narrativas, escolhas, desafios e mecânicas desenvolvidas pelos alunos.
Durante a formação, Alinne compartilhou experiências de sua própria trajetória profissional e trabalhou questões relacionadas à identidade, pertencimento, representatividade, comunicação e construção de narrativas. O encontro buscou instrumentalizar os educadores para aprofundarem esses temas junto aos alunos, combinando pesquisa, sensibilidade e criatividade com a responsabilidade envolvida em trabalhar histórias e legados de personalidades reais.
A proposta parte também da importância da identificação. Ao aproximar os jovens negros e periféricos atendidos pelo AfroGames de trajetórias reais de personalidades negras, a iniciativa busca mostrar que grandes legados não são histórias distantes de suas próprias realidades. São percursos construídos por pessoas que enfrentaram barreiras, ocuparam espaços, transformaram seus campos de atuação e abriram caminhos para outras gerações.
Nesse processo, o papel dos educadores vai além do ensino das ferramentas técnicas necessárias para desenvolver um jogo. Eles serão mediadores de uma jornada que envolve pesquisa, interpretação e criação, ajudando os alunos a compreender quem são essas personalidades, o contexto de suas trajetórias, os desafios que enfrentaram e a dimensão de suas contribuições.
Em vez de oferecer respostas prontas, a capacitação busca ampliar a capacidade dos profissionais de provocar perguntas, estabelecer conexões e ajudar os alunos a transformar referências históricas e contemporâneas em possibilidades de criação dentro da linguagem dos games.
A AfroGamesJam é um dos momentos de integração da formação oferecida pela Trilha de Criação. Durante a iniciativa, os alunos são desafiados a colocar em prática os conhecimentos adquiridos ao longo do curso, trabalhando em equipe para transformar uma ideia em um jogo a partir de um tema comum. Além das competências técnicas de desenvolvimento e design, a experiência estimula pesquisa, criatividade, colaboração, tomada de decisão e construção de narrativas.
Com “Código Preto — Legados que Transformam”, a edição de 2026 amplia esse desafio ao colocar trajetórias e contribuições de personalidades negras no centro do processo criativo. A proposta é utilizar os games também como linguagem para conhecer histórias, preservar memórias, provocar novas leituras e apresentar esses legados a outros públicos.
Ao investir previamente na formação dos educadores, o AfroGames reforça a compreensão de que a qualidade do processo de aprendizagem e dos projetos desenvolvidos durante a AfroGamesJam começa antes da criação dos jogos. Começa na preparação de quem acompanha os alunos, nas referências apresentadas, nas perguntas que serão feitas e na capacidade de transformar conhecimento, memória e identidade em criação.
A iniciativa reafirma uma das premissas que orientam o trabalho do AfroGames: aproximar tecnologia e desenvolvimento de games da realidade dos jovens das favelas e periferias, fazendo da formação tecnológica não apenas uma oportunidade profissional, mas também um espaço de expressão, reconhecimento, criação e construção de novas perspectivas.